Para não constranger governador, Cintra abandona cargo depois de condenação

 

Em justificativa sobre ter abandonado, temporariamente, o cargo de coordenador regional da Secretaria de Estado de Governo de Gestão Estratégica, Nelson Cintra Ribeiro declarou ao Correio do Estado que se afastou da Segov porque foi condenado na Justiça Eleitoral por compra de votos, em 2012.

Cintra teve direitos políticos cassados. “Saí na frente, pois sei que eu não poderia continuar no cargo e não queria constranger o governador (Reinaldo Azambuja)”, explicou.

O coordenador se refere à condenação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), onde sentença determina cassação de direitos políticos.

“Recorri ao TSE e estou esperando reverter essa situação para eu poder voltar”, disse Cintra. O articulador político disse acreditar que integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) foram os responsáveis pela cassação. “Eles sempre me perseguiram, pois ninguém teve coragem de fazer enfrentamento político como eu”.

O articulador de assuntos políticos do governo alegou que a condenação diz respeito a acusação, em 2012, onde ele teria comprado votos em troca de ceder moradias populares.

“Na verdade, o Carlos Marun, que na época era secretário de Obras do Governo, estava construindo casas, mas eles (Heitor Miranda do PT) alegaram que eu que estava articulando”, justificou Cintra. 

De acordo com Cinta, o Estado tem um decreto que determina o desligamento de servidores com ficha suja. “ E como eu tenho esse problema no TSE e ainda não consegui reverter, decidi me afastar. Isso pode demorar de 30 a 40 dias”, ratificou Cintra. 

ESCÂNDALO

Em 2016, Cintra teve seu nome envolvido em denúncias por assédio sexual. O articulador do governo foi alvo de investigações da polícia após a jornalista Nilmara Caramalac, funcionária pública do Estado, ocupante do cargo de Gerente de Conteúdo da Rádio FM Educativa, acusá-lo de ter assediado a profissional.

Em contrapartida, Cintra disse que uma das causas dele ter sido acusado de assédio deve-se ao fato de ele ter boa influência na política.

“Esse negócio de assédio eu dei uma entrevista e disse que por eu estar bem próximo do governo, por eu ter sido prefeito em dois mandatos e ter, sem modéstia, uma certa influência na política, então é muito cômodo”, disse.

Cintra também declarou que acredita “estar na moda esse negócio de falar em assédio”.

“Eu sofri duas calúnias, uma daquela moça Calamalac, aquilo está resolvido, não comprova nada. Não conseguiu provar nada. Não é do meu feitio aproveitar oportunidade para denegrir o outro. Eu vou me defender dos ataques, tenho muita gente que me conhece. Na minha família, minha mulher, vivo muito bem com ela. Eu tenho neta de 16 anos, 17 anos. Vivo muito bem”, reforçou. 

Cintra disse se sentir constrangido diante das acusações, mas que, por ser político, fica confortável para as pessoas fazerem denúncias “vazias”.

FUTURO

Sobre o futuro, Cintra disse que continuará na vida pública. “Tenho 20 anos (atuando na política). Eu sou um empresário bem sucedido e prestando um favor para o meu Estado”, disse o ex-prefeito e 

Produtor rural, o ex-coordenador falou também que sempre conciliou os dois trabalhos: “meus negócios e a política”.

E sobre futuros mandatos, Cintra disse que não pretende seguir carreira. “Prefiro ficar na articulação. Relativo a Murtinho, foi uma cassação de mandato. Eu torço pelo Reinaldo, minha mulher é vice-prefeita em Porto Murtinho e continuarei trabalhando pelo Estado. Ele me disse que está muito sentido, mas independente de cargo e mandato vou continuar ajudando”, finalizou. 

HISTÓRICO

Nelson Cintra Ribeiro foi nomeado como coordenador da Segov em março deste ano. Antes disso, ele atuou como diretor-presidente da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul. Ele já foi prefeito de Porto Murtinho.

Cintra também esteve na lista de envolvidos nas denúncias de possíveis irregularidades fiscais do governo do Estado, delatados pelos irmãos Batista da empresa JBS, Joesley e Wesley. 

A exoneração do coordenador regional da Secretaria de Estado de Governo de Gestão Estratégica será publicada amanhã (14), no Diário Oficial do Estado (DOE). 

*Colaborou Yarima Mechi


Fonte: Correio do Estado

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