Nome de juiz também era usado por quadrilha para aplicar "golpe de ouro"

 

 
 

A organização criminosa investigada pela Polícia Federal na Operação Ouro de Ofir chegou a usar o nome do juiz federal aposentado, Odilon de Oliveira, para aplicar golpes. Em fevereiro do ano passado, o magistrado foi alertado e encaminhou um ofício para a Polícia Federal (PF), pedindo providências sobre este fato.

Ao Portal Correio do Estado, o juiz afirmou hoje que as notícias sobre estelionato usando o nome dele começaram a sugir em 2012, por isso decidiu procurar a polícia. “Eles queriam expor que o negócio era lucrativo. Por isso diziam que um juiz havia avalizado, que era bom. As pessoas me procuravam e eu sempre dizia que não, que não tinha nada a ver com aquilo, por isso encaminhei ofício para a Polícia Federal na época”, afirmou Odilon.

Induzidas a acreditar no envolvimento do juiz nas transações financeiras, as vítimas pagavam R$ 1 mil por ação e ficavam com promessa dereceber dinheiro no futuro, que seriam lucros de até R$ 15 milhões.

“Os golpistas inclusive emitiam um contrato falso, de uma empresa sediada no Rio de Janeiro, com CNPJ. Eles convenciam a pessoa dizendo que o juiz fulano de tal comprou o negócio e era muito bom”,  explicou.

FASILDADE IDEOLÓGICA

Sidney Anjos Peró, um dos presos durante a Operação Ofir, deflagrada hoje pela Polícia Federal e Receita Federal já era investigado pela Polícia Civil por falsidade ideológica. Isto porque, há suspeitas de que ele use sobrenome falso, igual ao de família conhecida em Campo Grande.

O delegado titular da Delegacia Especializada de Repressão de Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras), Fabio Peró Correa Paes, que é filho do ex-reitor da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Manoel Catarino Peró, explicou à reportagem do Portal Correio do Estado que Sidney não tem parentesco nenhum com a família dele, mesmo afirmava que era parente e usava disto para aplicar golpes.

“Peró era apelido da minha família. Veio do meu tataravô. Em homenagem à família, meu pai colocou de nome composto. Depois que casei virou sobrenome da minha esposa e dos meus filhos”, contou.

O delegado informou que amigos da família já tinham entrado em contato com ele para saber da ligação com o criminoso, o que motivou uma investigação.

INVESTIGAÇÃO

Envolvida em estelionato, falsidade ideológica e fraude no sistema financeiro, a Company Consultoria Empresarial Eireli, instituição clandestina localizada em Campo Grande, fez mais de 25 mil vítimas em todo o País. 

A organização criminosa se valia da falsa redistribuição de comissões das vendas de uma mina de ouro explorada há décadas, para induzir investimentos em dinheiro, oferecendo lucros exorbitantes de até 1.000 %. O esquema era coordenado por Celso Eder de Araújo, Sidney Anjos Peró e Anderson Flores. Os três foram presos nesta manhã pela Polícia Federal e Receita Federal, durante a Operação Ouro de Ofir. 

O esquema movimentou cifras milionárias, se pautando na crença das pessoas de que estavam colocando suas finanças sob a tutela de uma empresa responsável. O grupo usava a história da mina para atrair a atenção das vítimas e, para convencê-las a investir, apresentavam documentos falsos, certidões com títulos rebuscados e autenticados, como forma de demonstrar credibilidade. 


Fonte: Correio do Estado

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